SOBRE CABELOS BRANCOS.

"será que eles sabem mesmo de tudo?"

Bonitos....respeitosos.....algodão.....
. Com aqueles cabelos brancos e um olhar ‘pesaroso’.
Ela olhava pra mim.
Eu lhe sorria com um sorriso de convite e escolhia as palavras certas nas conversas de tempos atrás, só para lhe agradar. Geralmente, me dou com pessoas de idade. Talvez por ser compatível. Por dentro. Pois foi exatamente o que ela viu de mim. O que tenho dentro.

Explico: Ela permanecia assim, parada. Refletindo. Me olhando.
Eu, disfarçando minha dordecabeça/enjô /tontura, mas acontece que ela via! O meu interior.

Eu não tava suja, nem pintada, nem borrada, nem mal cheirosa, aparentemente normalíssima. A-p-a-r-e-n-t-e-m-e-n-t-e, não havia motivos pra ninguém rir, criticar, certeza.
Seu rosto sério me dizia que não gostava. Contei-lhe do baile de minhas amigas e foi o ingrediente que faltava pra que ela desabafasse:
- Você.
É o reflexo de sua mudança. De uma pessoa calma e meiga... diferente. Já é adulta, sabe que caminho escolher. Pois saiba que os amigos não são pra sempre. Agente tem que priorizar a família. Parece que não sabe nem o que faz. A vida não é brincadeira, é séria...
[...] – pausa.
Aqui eu me surpreendi. Um frio por dentro, um gosto de choro que ia até o nariz. Cabeça baixa, eu olhava pro chão, aceitando aquelas palavras com o rosto mudado. Como ela poderia falar qualquer coisa de mim, se não sabia? Aqueles cabelos brancos que eu tanto admirava e por anos tanto amei em vê-los... me punha respeito e eu deveria escutar, sem responder, até o final. Mesmo que fosse forte, mesmo que me doesse.
[...] – continua
- Amizades: as mesmas pessoas que riem com você, riem de você. Te reprovam e te julgam, mas não te dizem. Quando você realmente precisar de alguma coisa, é a família que te apóia. Não dão ele.
- Hum hum...eu sei...
(minhas palavras saiam e confirmavam aquilo que eu + reprovo: colocar meu amor-amizade por baixo e em questão). E por mais que eu recebesse as palavras dela sem reivindicar, sem me proteger, me defender, nada! Nada do que eu fizesse parecia agradá-la. O que aconteceu? Não sei. As pessoas não toleram mudanças. E eu mudei. E aquela que já me foi tão próxima um dia, tão querida... Se fazia longe, dura, “implacável”.

P que fazer? me senti um pouco indigna e não me indgnei. E talvez fosse mesmo merecedora de acusação. Mas porquê? ...E pensei por uns instantes que regredi. Fabíola diz que não. Já que lê meus escritos do blog e gosta deles, ao ponto de me incentivar a publicá-los num livro.

E vem minha tia-avó me falar de família. Essa, que eu sinto o peso de anos a fio. E que me fez amadurecer antes do tempo e me fez uma criança sonhadora, pensando ser uma super-heroína, que quando crescesse iria resolver todos os problemas, começando em casa. “-Quando eu for adulta, tudo isso vai mudar”.
Mudou. Eu mudei. Minha mãe com aquele olhar desconfiado de mim; Talvez sempre tivesse, só agora eu percebi. E hoje, aos 24 anos, adulta, tenho medo às vezes. E coisas dos "às vezes ": Tenho frio. Tiro a tal 'armadura', e durmo encolhida por meia hora, permitindo me proteger. Choro com baladas. Perco o juízo por aí. Assisto filmes compulsivamente. Leio, leio,leio. Sonho demais. Como sem ter fome. Sou grosseira e rude. Sou mandona e mimada. Não acumulo dinheiro. Tenho medo de rejeição. E sou o contrário do que se possa esperar de mim.

Saldo de hoje:

*Uma dor de cabeça com tontura pelo exagero proposital de ontem;
*Sentindo-me um pouco mais gordinha, errante e incompreendida;
*Acusada - Surpreendida - Pensante;
EU SEI, MAS NÃO DEVIA?

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