Quando não é romance.

(Eu bebia procurando uma calçada pra sair da rua.
Você não passava ali e o universo não conspirava nada. Me negava à toda a velocidade, todas as viagens. Não me respondia nunca.)

O telefone não toca e não sou eu ligando.
O café na mesa pra dois não é pra gente.
O colar não é de compromisso.
O lado que estou não é aonde você está.
Guardo os papéis das cartas que não trocamos e coloco o cadeado nos nossos não portões;
Tarde da noite lembro pequenos diálogos:
"- Vou te fazer abrigo.
- É perigoso."
E nunca mais te disse nada.
Eu não disse tudo o que eu queria.
A voz dos meus olhos gritavam alguma coisa que-não-podia-ser.
Agora, nem as paredes me escutam:
(Essas repetições sem luxo do que não houve.)
A cama de casal me dá agulhadas dizendo que ela nunca foi nossa.
O carro só dá ré e não vai fazer aquela viagem.
Os objetos que não são nossos só ocupam um espaço que seria da “novidade”.

Daqui da janela eu escuto músicas que nunca ouvi da sua boca.

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