Do sétimo andar.

"Alto aqui do sétimo andar, 
longe eu via você, 
e a luz desperdiçada de manhã, 
num copo de café..."

Ainda ando pela casa e choro baixinho:
"Não acredito, não acredito..."
Sinto sua presença forte, do meu lado, em pé nessa casa.
Esta que construímos depois de tantos anos desejada.
O seu quarto, o banheiro e até o piso, por você.
Ainda sinto o cheiro do alto da tua cabeça,
Vejo todos os detalhes do teu rosto
e as manchas da tua pele.
Ninguém jamais vai entender
o quanto eu amei cada pedaço teu.

Na parede da sala meu retrato de 18 anos que você mandou fazer
e do lado dele, no cantinho, o santinho com o teu:
Vestido preto, sorriso fruto da minha formatura.
Você era feliz por mim.

O seu quarto continua ali,
e a minha esperança que você volte, pegue sua bengala e ande até a cadeira da área.


À noite, preciso falar com você para me orientar
e ouvir o teu riso de criança
Você atende e vem me responder nos sonhos;
E me dá o conforto das tuas mãos e teus abraços carinhosos
Você que só queria amor.

Levanto, tomo café, falo e até sorrio
sem que ninguém desconfie de como estou por dentro.

Sei que me preparou para a vida,
mas a tua morte me dói mais que ter caído do sétimo andar.




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